Terça-feira, 31 de Março de 2009

Sempre a andar

Uma semana depois da inesquecível caminhada pelas redondezas do rio Bestança, mais exactamente no dia 1 de Fevereiro, estes três tristes MerdaS resolveram ir de carro até mais longe para, dum ponto de partida mais afastado, irmos um pouco mais além do local mais longínquo onde já tínhamos chegado. O objectivo era chegar a Cinfães, já o tínhamos falado várias vezes. Com alguma frequência tínhamos arrancado junta à Barragem de Carrapatelo, chegado a Vila Nova, a Teixeirô (que vista soberba sobre Porto Antigo!) e por aí. Mas desta vez fomos iniciar em Vila Nova para desbravar os caminhos que dali nos fariam chegar à terra de Serpa Pinto. Para lá foi sempre a subir, o Kim sentia-se nas suas quintas, serras é com ele, e o Xapim, com a brisa que o empurrava, subia sem qualquer esforço. O Irmão Leitão, coitado, movia-o a esperança de que, ao voltar, seria sempre a descer e poderia fazê-lo desengatado! E ia falando do seu sonho de cruzar uma centopeia com um porco para montar um negócio de presuntos, e imaginava, se já fosse um descendente desse cruzamento, como subiria aquela rampa com meia dúzia de pernas ás costas...

 

 

E chegamos a Cinfães, aquela bela localidade. É verdade, e convido toda a gente a visitá-la para o confirmar, que as primeiras, segundas e terceiras impressões que ficam desta terra são muito positivas. Encontramos logo à entrada, a norte, edifícios novos, supermercado, escola, uma rotunda. E alguns espigueiros bem conservados, e uma mensagem de amor... E um encontro inesperado, pastando calmamente num campo anexo, exactamente o irmão Burro, o S. Cricalho. Não estaria com muito boa disposição, assim o achamos, e provavelmente com alguma razão, os caMinHeiRos de MerdA são uns devotos oportunistas, só nas horas de aflição e de desgosto se lembram de lhe rezar. Enfim, não praticantes.

 

Entrando na vila nota-se algum bom gosto, o antigo bastante bem conservado e o mais moderno sem ferir muito o ambiente. A igreja muito bonita, o ambiente circundante bem arranjadinho, sem exageros, um parque infantil, ao lado uma praça com esguichos de água brincalhões, o museu Serpa Pinto (fechado, normal neste país), umas estátuas bem trabalhadas em frente, (perceptíveis, mas se calhar um pouco deslocadas pela modernidade). A calma, o sossego, o silêncio, visíveis não só nas pessoas que passam e nas que estão nas pastelarias a matabichar e a ler o jornal, mas também na sensação agradável que nos invade, peregrinos estranhos, passageiros efémeros, maltrapilhos, que procuram num Portugal a acabar matar as saudades de tempos muito idos!

O regresso foi pelo mesmo caminho, como aliás todos os regressos, embora muita gente ande enganada em relação a isto.

Nesta constante viagem, nesta procura contínua de novas descobertas dentro desta terra maravilhosa em que vivemos (mais maravilhosa seria se não a estragássemos), logo no domingo seguinte, 8 de Fevereiro, fomos bandeirantes e quisemos fazer um percurso a começar na barragem de Matos, (ai de quem lhe chame barragem do Torrão I), e ir por Entre-os-Rios, o mais possível junto ao rio, regressando à partida pela estrada da outra margem. Ideia do irmão Leitão, vamos sempre de pé atrás, o que dificulta imenso as caminhadas, mas a boa disposição conseguida com o dizer da pedra logo no início "é provido deitar lixo" (foto já aqui publicada), deu-nos combustível suficiente para aguentar as agruras que nos esperavam. De princípio tudo bem, caminhos de terra, alguns campos trabalhados com verduras regadas de orvalho, uma casa de lavoura com o cheiro e as arrumações de outros tempos (que sabor ver ainda destes cenários), mas logo a seguir a teimosia do irmão Leitão levou-nos a um caminho sem saída... Voltar atrás era vergonha, não havia caminho mas havia vontade de desbravar, e então continuamos, arrumando pinheiros, saltando troncos caídos, pisando o mato antes que nos picasse as pernas, até que deparámos com um obstáculo intransponível: um ribeiro com mais água do que a que nós tínhamos metido em aceder fazer este caminho. Mas pronto, cAmiNhEiRo de MerdA que se preze não desiste, e assim forçámos a natureza selvagem que nos surgia a cada passo a que nos deixasse passar rumo ao destino final que é o nosso: chegar para logo partir novamente. Depois de vermos o destino a que são votados os campos que outrora foram trabalhados, e foram sustento de muitos portugueses, e de  vermos a persistência das árvores em continuar a dar folhas e frutos, e de vermos as ervas teimando em subsistir e cada vez mais espalhadas pelos caminhos e pelos muros, e de vermos as flores continuando em ser belas e a nascer de todas as plantas, chegamos ao caminho bom e largo que nos levou de regresso a Rio de Moinhos e à barragem de Matos (ai de quem lhe chame do Torrão I!).

E assim chegamos depressa, porque temos sempre pressa de partir! Destino de MerdA.

  

escrito por xapim às 19:32
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1 comentário:
De Sabores da água a 6 de Abril de 2009 às 18:31
Interessante o que se visita por aqui. Abraços


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