Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

Oportuna continuação... da fuga das galinhas

O dia chegou. Agasalhados contra o vento furioso que empurrava tudo e todos para uma desagradável sensação de desconforto, o corpo e a cabeça tapados com gorros, cassecóis, capotes, luvas e quejandos, eram 9 horas (para mais que para menos) quando aterramos no largo fronteiriço da Tasquinha do Fumo. Antes porém de começarmos a caminhada, e dirigindo-nos à cozinha para confirmação da reserva feita presencialmente pela net, observamos espantados que a porta do galinheiro estava aberta e, lá dentro, o vazio... Nem galinhas descontraídas, nem galos desconfiados, só um silêncio ainda assustado por uma fuga recente! Desconfortados por esta falta de confiança, apesar dos nossos esforços antecedentes e da velha relação de violência homem/animal, subimos à cozinha para confirmarmos a nossa presença e a hora a que chegariamos para o repasto festivo.

Arrancamos contra o vento e contra todos em direcção à aldeia da Aboboreira, num passo apressado, para chegarmos a tempo da reunião dos rebanhos da aldeia antes de arrancarem para a serra. Chegados, encontramos silêncio e solidão, quebrados pouco depois pelo ladrar dum cão, mais de cumprimento que de aviso, que nós somos velhos cAmInHeiRoS já conhecidos amigos da natureza e dos animais... E as galinhas que não nos saem da memória, que magoaram os nossos sentimentos, que nos aborreceram ao ponto de, para minorar o nosso sofrimento, termos pensado em marcar para uma próxima oportunidade um arroz de cabidela na Tasquinha do Fumo. Mas ainda bem que só pensamos (e baixinho)... pois podíamos ter sido ouvidos pelas próprias que, apesar dos cuidados que tomaram, conseguimos descortinar escondidas perto da estrada de terra. A cabeça colorida e vistosa do galo machão era bem visível no meio das giestas queimadas, rodando para um lado e para o outro de modo a ver e ouvir dos dois lados. Cuidados dum chefe de guerrilha!

Antes ainda de sermos recebidos pelo ladrar amigo dum cão, tivemos um encontro com um velho pastor agricultor, que guardava duas vacas sossegadas e indiferentes ao vento bravo que fustigava a serra naquele dia. Velhos conhecidos que nos encontramos pela primeira vez, a conversa fluiu, e falamos de tudo, desde o preço das vacas e quantas criam já pariram, aos filhos emigrantes que o queriam levar desta terra que ele não deixa por nada, às visitas e operações que já fez no hospital, à sua mulher que o viria substituir no pastoreio das duas vacas sós... Quando se tem tudo, porque se há-de querer mais? Se fizermos os sonhos à medida das nossas pernas, qualquer aboboreira serve. É fácil dar um passo e ser feliz.

O Pastor feliz!

 

(próximos capítulos brevemente (não mente))

eu?: angolano
som: kizomba
escrito por xapim às 18:50
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1 comentário:
De G. Castro a 1 de Julho de 2010 às 02:57
Caminheiros de Merda,

Gostei do V. blog e aguardo novas e épicas aventuras!

G. castro


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