Domingo, 23 de Outubro de 2011

Um biteto, dois Bitetos, três... Ou "O ÚLTIMO BARCO EM BITETOS"

 Joguei em casa. O Kim, militante caminheiro como é, e com um fé capaz de remover montanhas, encostas, rampas, declives e altos, desceu à civilização para fazermos um pequeno passeio por zonas de Várzea e Alpendurada. O que é bom é o que os outros têm, por esse motivo é difícil à partida descortinar um interesse peculiar para descrever uma volta por estas bandas, pese embora a capacidade e imaginação deste autor que já foi capaz de quase fazer epopeias de pequenos passeios por terras insignificantes e cheias de caminhos e casas velhas. Mas tenho que confessar aqui, porque sou orgulhoso da minha humildade (!), que fizemos duas caminhadas memoráveis e das quais nunca tive coragem de escrever uma letra pequenina que fosse: quando fomos a Mafómedes, Baião, e Aldeia de Pena/Covas do Monte, S.Pedro do Sul. O que vi e senti nestes dois locais foi demasiado violento, a beleza que apalpei foi por demais grandiosa, as pessoas com quem falei foram tão superiores, que me senti, como sinto ainda hoje, completamente desarmado e incapaz de sequer imaginar uma frase que seja! Há coisas que não cabem em palavras, parece como quando queremos explicar Deus por aquilo que entendemos e não por aquilo que nos ensinaram. E lembrando-me do que o mestre Miguel Torga (tão injustiçado pelo nosso esquecimento...), tem escrito numa placa no alto do monte São Leonardo em Galafura, Régua, então quem sou eu para balbuciar uma reticência que seja? Atrevo-me a pôr aqui, curvando-me em grande respeito, duas passagens:

 

 "O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso de natureza" e "Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro"

 

 E com alguma habilidade consegui enriquecer este texto, dado a falta de imaginação ou de conhecimentos para descrever a caminhada deste dia. Sei que há muita história pelos lugares por onde passei, Crespos, Chaim, Gandra, Bouça, Geraço e... Bitetos, principalmednte este (ou estes? não são dois?). Mas, como disse anteriormente, o dos outros é que é bom e interessante, e sei mais das outras terras por onde passo do que daquela onde vivo. Por isso sou de MerdA, pronto, está dito. E confesso também que fui pela web buscar "Bitetos" na intenção de algumas dicas que demonstrassem a minha vasta cultura... Também já está dito. Embora pouco não foi pelo menos tempo perdido, porque acabei por verificar que há alguém que tem acervo e o faz publicar com histórias da importância actual e já antiga de Bitetos.

Passámos, este humilde escriva e o Kim fotógrafo pintor e caminheiro, uma manhã agradável a fugir e a fintar a chuva que dizia que vinha e não vinha, falando de política, de medos e de religiões, e sempre atentos aos espectáculos que a natureza e os pequenos recantos de Bitetos nos punham à frente dos olhos. Nem as historinhas de gentes e locais que eu ia contando feito cicerone distraíam as câmaras fotográficas, sempre apontadas às curvas do Douro ou às flores que carinhosmente enfeitam os jardins das casas por onde passávamos.

Não querendo passar sem um pequeno contributo pessoal para a história deste local, vou publicar aqui uma foto minha, já com alguns anos, dum barco em construção junto ao cais de Bitetos.

E finalisando, com a minha mania e jeito especial de estragar sempre o que faço de belo e útil, quero deixar umas perguntas: quem fez este barco? Será que ainda navega as águas do Douro? Será que, ainda existindo, terá histórias macabras para contar? Será que levou muita gente para a outra margem, seja ela qual for?

E nasce-me a ideia para um filme: "O ÚLTIMO BARCO EM BITETOS" Vou já falar com o mestre Manoel de Oliveira.

 

 (FOTO XAPIM)

 

escrito por xapim às 21:45
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