Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2013

Crónica de MerdA 2 (pregos e Mandela)

 

  Não tinha noção do que era a África do Sul, mas, mesmo de noite e na viagem do aeroporto até ao hotel, depressa a ganhei ao comentar para o taxista “ah, isto é igual à Europa”, “oh, beautiful” respondeu ele rindo-se. Dois factos confirmados num momento só: que realmente a África do Sul é como a Europa, limpa, ordenada, trânsito sossegado, carros todos direitos e nada de carrões, zona verdes, relva, e que os sul-africanos são simpáticos. Tudo isto eu confirmei na prática e por informações recebidas nos dias a seguir. E nota-se que as coisas funcionam, sobretudo. Não quero dizer com isto que tudo é bom, ou óptimo, sabe-se que nunca devemos julgar a parte pelo todo, para o bem ou para o mal. Mas, para quem anda por África, é este o primeiro impacto, nunca nos devendo esquecer que isto foi “inglaterra”. Sim, e apartheid… que hoje não se vê, abençoados ventos da história e heroicidade de um Mandela, para mim personagem dos séculos XX e XXI! Não vejo hoje, não só aqui como noutras paragens, diferenças sociais pela cor da pele, mas por outros motivos talvez menos óbvios mas de igual modo marcantes. Teríamos aqui dialéctica para muitas discussões, com certeza para outros fóruns que não estes, de MerdA.

As coisas iguais em todo o lado, são como uma família unida e feliz: não têm história, não têm acontecimentos relatáveis que interessem aos media, a colunas sociais ou crónicas que se querem com interesse. Chegar a Tókio e ir a um snack comer um hambúrguer, é como fazer o mesmo em qualquer outra parte do mundo, não tem interesse. Chegar a Lisboa e comer umas sardinhas assadas em Junho, sim, é único, é específico, inesquecível e irretratável. Isto para dizer que estar num hotel nos arredores de Joanesburgo é igual a qualquer outro lado, o interesse é nenhum. Mas estar numa sala de formação com um bielorrusso, um italiano, dois portugueses, três “mauricianos” (é assim que se chamam os habitantes das ilhas Maurícias?), dois bóeres sul-africanos… sim, é de interesse, é educativo e justifica citação numa crónica mesmo de MerdA. Será esta uma imagem que nos levará a falar duma África do Sul multirracial e multicultural, apesar de estes personagens não serem todos habitantes ou naturais da mesma? Deixo isto para algum entendido, ou antes distraído, que, num ligeiro descuido, se tenha mantido na leitura destas considerações até este ponto.

 Multicultural é, vi eu: logo no segundo dia um hóspede africano e negro com uma camisola do Benfica, impecável, limpa e nova. E recente pelo que a publicidade mostrava. Concordo que alguém discorde (sim, é uma quase repetição propositada), mas pelo menos cruzamento de culturas é. Mas podem começar pelo menos a pensar, pois ao jantar no restaurante que serve o hotel, deparei-me com uma pequena maravilha no menu: “prego roll, made the traditional Portuguese (sim, está com “P” grande) way, prepared in secret Portuguese (sim, “P” grande outra vez) recipe”. Claro, aberto a experiências e orgulhoso de tudo o que é português, tive que experimentar o que era comer um prego em Joanesburgo, e apesar de não ter a ver com um qualquer prego comido numa tasca do Marco de Canaveses, (os molhos eram tipicamente ingleses), já posso dizer “comi um prego Português nesta ponta de África por onde, há centenas de anos, heróicos portugueses passaram cheios de escorbuto e coragem enfrentando adamastores e, mais do que isso, incrédulos velhos do Restelo de então, apesar de não piores do que aqueles que hoje não sentem um bocadinho de orgulho do que os seus antepassados deixaram semeado por todo o globo terráqueo.

E que tal no dia seguinte um “Portuguese chicken prepared with our secret suice, and home made chips”? Sim, melhor e mais português que o prego, assim o prego eu que não sou Frei Tomás. Por fim um café expresso em chávena grande, com um pouco de canela espalhada estrategicamente… no prato. Visualmente muito bonito. Só.

escrito por xapim às 00:21
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