Segunda-feira, 2 de Abril de 2007

A serra do Grou

   










 
 
 
O momento + alto dos cAminHeiRos de MerdA ! É verdade, foi num domingo com  manhã fresca e soalheiro quanto baste que nos pusemos a caminho do "monte das ventoinhas" como carinhosamente lhe chamamos, pois de qualquer local em que nos encontremos no nosso dia a dia, o vemos trabalhador nas sua três ventoinhas brancas e leves de asas voadoras.... Já o visitamos há dois anos, acedendo-o pelo outro lado, o de Ervilhais, linda aldeia deitada em sossego ao lado dos seus campos geométricos e verdes de vários tons. Subimos a íngreme estrada de terra ao lado dos bois amarelos que a sabiam de cor até ao alto, onde se iam deliciar com a erva milenar que ali a natureza produz com afinco e persistência. Tivemos breve diálogo com os pastores, fomos às "ventoinhas" e descemos com algum desgosto por tão breve estadia e já com saudades que nos faziam prometer voltar com mais tempo, talvez acampar uma noite e fazer o almoço ao lume e ao vento com algum pastor que por lá andasse, ouvi-lo contar as histórias do tempo e da aldeia, da vida e dos sonhos que nós de certeza já não sabemos sonhar.

   
 
Pois, mas isto foi na visita de há dois anos, o Kim não fazia parte ainda coitado! Desta vez, já com ele, na tal manhã fresca de que falei atrás, com o "irmão" Leitão, o Abraão "judeu circuncidado" e o Xapim "não sei o quê" (não sei mesmo), abordamos o monte pelo lado contrário, subindo a partir de S.Tiago de Piães e passando pela aldeia de Vilar D'arco . Armados de tecnologia avançada com um GPS logo a seguir à última geração, mas sobretudo duma vontade férrea de subir o que nos surgisse pela frente e enfrentar os ventos agrestes que nos fustigavam o rosto, e também de lograr absorver as prendas mais lindas que a natureza nos oferece nestas andanças e nós adoramos já viciados neste alucinogénio incomparável,  iniciámos a subida sempre com as "ventoinhas" ilusoriamente perto, mas logo um pouco desiludidos pelo caminho já com demasiada interferência do homem para ter acesso motorizado ao alto. Com o Abraão judeu circuncidado sempre a protestar "não é por aqui", e depois de tirarmos uma fotos artísticas com as "ventoinhas" penduradas nas mãos, lá chegamos ao alto onde se respira mais ar, se sente mais a alma que muita gente diz que não tem, se atesta o espírito da energia que emana dum azul muito mais perto.
     
Desta vez visitamos a capela da Sr.a do Castelo, pequeno espaço natural entre penedos seculares encostados propositadamente à espera que algum dia os homens ali fizessem um local de oração, pois o tempo dos sacrifícios aos deuses já lá vai. Hieróglifos impressos com tinta num penedo diziam bem claro "senhora do castelo", até o judeu circuncidado conseguiu ler...  Eufóricos com a bebedeira do ar fresco que nos fustigava, passamos o morro dos penedos para o outro lado, correndo perigos que o são para qualquer um, menos para os cAminHeirOs de MerdA , e dirigimo-nos para o marco geodésico na intenção de confirmar se realmente estávamos no momento mais alto dos "©MerdA "®. Emoção a rodos, o espírito aos saltos, a respiração suspensa, a claque num silêncio ensurdecedor, o árbitro acena para o apito,
 

e... 1035 metros de altitude!!! O nosso momento!  O mais alto! As bancadas tremeram, o Abraão dobrou-se virado para Jerusalém, o "irmão" Leitão levou as mão à cabeça à procura do cabelo, o Kim fotografou-se a ele próprio, e o Xapim foi mijar.
    Na descida, depois de espreitarmos Ervilhais ainda sossegada ao lado dos seus campos verdes e vigiada pela torre serena da igreja,  observamos então as belezas que nos ficavam pelas costas durante a subida. Tão longe dos centros ignorantes de decisão, o Portugal verdadeiro tem imensa fé em si próprio e constrói, trabalha, embeleza, convive, fala, reza, passeia, joga, vive , enquanto os doutos lhes vão afastando para cada vez mais longe os meios para uma vida mais digna e confortável para se viver e morrer. O mar já lhes entra pelas casas dentro, e eles atiram-lhe areia, coitados que nem sabem o que lhes preparamos quando tiverem que fugir para o interior...

 

   Lugar  de Vilar D'Arco

Assim foi e é o momento + alto dos "©MerdA "®. Mas vai haver mais+


eu?: açoriano
som: caguê-te mariano
escrito por xapim às 23:52
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