Terça-feira, 17 de Setembro de 2019

Por acaso, Boelhe

Podem fazer-se viagens casuais. Quando ao acaso, deviam ser acasuais que é a negação de casual, mas neste caso foi quase. Quase casual ao acaso.

Embora as pontes sobre o mais baixo Tâmega sejam modernices do século passado, as histórias do início da nossa história dizem-nos que a forte ligação entre as duas margens superava qualquer entrave pela sua ausência. As escaramuças com os sarracenos que ainda andavam por aqui, as igrejas e mosteiros que polvilham a região provam que essa dificuldade era superada com arte e bravura.

Numa passagem (a)casual, a igreja de S. Gens de Boelhe, embora quase escondida, chamou-me a atenção ali envergonhada e encolhida ao lado da igreja “nova”… Parei propositadamente para, no silêncio e solidão do momento, melhor observar este monumento “desconhecido”. Fui educado religiosamente na minha infância neste ambiente, cercado por pedras como estas carregadas de história, mistérios e lendas, túmulos pesados, púlpitos e sermões, sinos, arcos, azulejos com imagens de mulheres e coelhos e pássaros com uma pata levantada. Impossível ficar indiferente quando encaro um monumento como este. Lembro o abade, o grande livro com imagens de deus, do céu e dos infernos, a salve rainha, a catequese que me adensava os sonhos de menino…

Ao aproximar-me para lhe observar os vários ângulos, vi um caminho velho contíguo à igreja com uma moderna placa que dizia “rua Rainha D. Mafalda”. Mafalda? Lembrou-me a que passou em Alpendurada e deixou um memorial, e que passou em Irivo, e que passou em Castelo de Paiva, e que acabou no vetusto convento de Arouca onde era religiosa. Terá passado aqui para atravessar o Tâmega? Por esta “rua”? Talvez, até por um acaso acasual como eu.

E fui espreitar fugazmente a história desta igreja baptizada (com “p”) como de S. Gens. Mandada construir não se sabe se pela Mafalda esposa do Afonso nosso primeiro, se pela Mafalda (santa) filha do primeiro Sancho. Que pelos vistos andaram por aqui as duas. Ora então, porque não a mão desta santa também nesta igreja, que não só nos memoriais?

E já que também se diz à boca cheia que esta história da Mafalda (santa) dos memoriais também é lenda, eu posso usar a minha imaginação para inventar e acrescentar que “de facto” ela passou por aqui a caminho de Alpendurada com destino a Arouca. E fiz um mapa, e comparei os arcos e as pedras dos monumentos. Achei giro.

boelhe.png

 

escrito por xapim às 23:27
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